28 de ago de 2011

Carta de um catequisando


Eu tenho 12 anos, mas já sou capaz de pensar e exprimir. O recado que eu deixo, aqui, é directo para você, meu catequista. Não o conheço bem, mas sinto, pelo seu jeito, que posso em ti confiar. Por isso o meu recado está recheado de boas intenções, mas, como é próprio de qualquer jovem adolescente da minha idade, também tem um pouco de ameaça. Sou um adolescente imprevisível. Alguns chamam-me até de “aborrescente”. Sei que você vai entender, leia com atenção este meu pedido. Não estou bem, ando meio confuso. Dizem que é normal acontecer isso na minha idade. Todos parecem saber tudo o que acontece na cabeça de alguém que tem 11, 12, 13 anos. Mas, ao mesmo tempo em que dão palpites e conselhos, também parecem não saber quase nada. Ninguém me ajuda e poucos me apoiam. Por isso, sei que posso confiar em si, meu catequista. Este recado que lhe deixo pode servir para muito outros jovens da minha idade e para muitos catequistas da sua idade. É um alerta que eu faço. Embora eu tenha pouca idade, leio bastante, domino a internet e quando quero, escrevo bastante.
Será que você pode me ajudar?
Talvez não acredite muito em mim por causa do que falam a respeito dos que têm a minha idade. Mas quero ser directo, sem rodeios, para início de conversa. Pesquisando num site sobre a juventude de hoje, encontrei esta frase de São João Calábria que me serviu de inspiração para lhe enviar esta carta: “eu sou de quem me conquistar”. A frase é forte, não é? Então, continue a ler o que escrevo abaixo.
Se não me der atenção, um pouco de carinho ou até mesmo um sorriso quando eu chego, posso ser conquistado pela desobediência e de si não gostar.
Eu sou de quem me conquistar. Se não me ensina a importância da oração e não reza comigo, como saberei rezar? Se me diz que Deus é vingativo, assustador e perverso, como poderei gostar dele?
Eu sou de quem me conquistar.
Se não me ensina o respeito, se não me dá atenção e comigo não dialoga, se não se interessas pela minha vida, posso ser conquistado a qualquer momento pelo desamor, pela inconstância e pelo mundo. É desses sentimentos que vou me aproximar.
Eu sou de quem me conquistar.
Se não tiver paciência com a minha inconstância, não andarei pelo caminho que você  me quer indicar. Teimosamente, seguirei um caminho oposto, pois é da minha índole ser assim. Sou jovem, muito jovem, adoro contrariar.
Eu sou de quem me conquistar.
Se se apresentas como meu catequista e não coloca em seus actos a alegria e se não sinto em você vontade, ânimo e crença naquilo que faz, não direi sim ao seu convite e como poderei, em si confiar?
Eu sou de quem me conquistar.
Se se nega a apresentar-me um Deus atraente, alegre, justo, ético, continuarei tentado a aceitar outros convites. Se não insiste comigo, as drogas, as bebidas, o cigarro, a violência, o sexo fácil, a indiferença e o consumismo irão insistir. Se não me conquista, serei, por certo, mais um a aumentar as estatísticas dos que se dizem “sem religião” .
Se reclama de mim e se recusa a enfrentar os desafios que se apresentam para esta conquista, agirei de forma a o afrontar. E se não for forte, resistente e confiante na sua missão, também tu desanimarás.
E sou de quem me conquistar. Conquiste-me. Pare de reclamar. Aprofunde seus conhecimentos, busque ajuda ao ajoelhar. Eu rezo pouco, mas vivo ouvindo de muitos adultos, assim como você meu catequista, o quanto é importante rezar. Mas pelo menos tente, queira conquistar-me. Você lida com pessoas, não tem como fugir disso. Por isso, tente, insista, prossiga nos seus desejos de conquista. Cause em mim uma boa impressão e lembre-se: não lhe darei uma segunda oportunidade de me causar uma primeira boa impressão.
Empenhe-se por mim, é o que eu peço. Eu valho a pena, preciso do seu ardor e da sua coragem. Não sou tão terrível assim. Quando eu estiver distraído, olhe para mim com amor e não com raiva. Quando eu não quiser rezar na hora em que você pede, tenha compaixão comigo e não me transforme num vilão. Se eu não fiz o trabalho que me pediu, peça de novo, insista. Se não o abracei, abrace-me você. Se meus pais não o procuram para conversar,procure-os. Eu preciso muito de alguém que mostre interesse por mim. Fale de mim aos meus pais. Talvez assim, eles percebam que eu existo.
Eu sou de quem me conquistar.
Não desista de mim. Eu quero tanto aprender um pouco mais daquilo que você se propõe a ensinar. Basta para isso, que você realmente queira me conquistar.”
Assinado:
Um jovem catequizando

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